A Cidade que Tremia por Dentro
Diziam-lhe que as cidades eram promessas — mas ele apenas via nelas a cacofonia de luz e o ruído visual que lhe dilaceravam o fôlego. Caminhava como quem atravessa um vitral estilhaçado: cada neon piscando parecia cortar-lhe a pele, cada outdoor pulsava como um animal faminto.
No entanto, foi numa esquina sem glamour, onde a luz falhou por um segundo, que ele percebeu algo insólito: o silêncio não vinha da ausência, mas de dentro. Era como se o breu abrisse uma fresta pela qual a cidade pudesse respirar.
Ali, no colapso breve da luminosidade, ele viu que o mundo também se cansa. Que toda máquina cintilante deseja, em segredo, um instante de escuridão para lembrar-se de que existe.
E então compreendeu que sua náusea não era rejeição, mas sintonia: era o corpo tentando acompanhar o ritmo de uma metrópole que tremia por dentro — ansiando, como ele, por um breve repouso do brilho que a devorava.

Precisamos para prestar atenção nos detalhes e saber que o descanso é necessário.
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