No coração boêmio e melancólico do Estácio , no Rio de Janeiro , onde as ruas sussurravam histórias de dor e esperança, e o cheiro de carne do açougue misturava-se ao incenso das orações, nasceu Cecília. Era 7 de novembro de 1901 . Órfã de pai e mãe, a menina crescia sob os cuidados de uma avó amorosa, no sobrado de uma rua triste, ladeada pelas imagens de São Cláudio e São Luís . O destino, porém, parecia ter um enredo de tragédias para a pequena Cecília. Desde cedo, seus olhos sensíveis captavam a beleza e a crueldade do mundo, transformando-as em versos que brotavam com uma intensidade singular. Foi assim que, em um de seus poemas mais pungentes, dedicado à Inconfidência Mineira , ela escreveu: " sinto bater os sinos, percebo o roçar das rezas, vejo o arrepio da morte, à voz da condenação" Essas palavras, carregadas de um presságio sombrio, ecoavam a própria vida da poeta, que viria a enfrentar perdas e desilusões. Rua onde morou - entre São Luís e São Cláudio "C...