A Luz e o Horror

 


“A luz não era uma bênção. Era uma reveladora. Rasgava os mistérios do vácuo, expulsava os horrores que rastejavam invisíveis no breu.”

Dizem que a escuridão é o refúgio do medo — mas, às vezes, é a luz que nos entrega ao terror da verdade.

A claridade não consola: ela expõe.

Cada feixe revela o que o silêncio tentou esconder — as rachaduras nas palavras, os enganos do corpo, os fantasmas que chamamos de "eu" .

A luz não veio para salvar o mundo, mas para mostrá-lo nu.

O vácuo, antes apenas ausência, se torna um espelho: nele, o que rastejava na sombra ganha forma, rosto e respiração.

Há quem agradeça a iluminação; outros preferem permanecer cegos, preservando a doçura da ignorância.

Mas é inevitável: uma vez que a luz rasga o véu, o horror se torna parte do visível — e o visível, parte de nós.

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