O Dr. (Quase)
"Parabéns! Sua tese foi submetida!" Arnaldo sentiu o clique do mouse reverberar da sua falange até a base da sua espinha. O som foi abafado pela "pressão acolchoada" da sua fiel cadeira de escritório, um monólito de espuma de memória e couro sintético que havia se fundido permanentemente ao seu cóccix nos últimos 45 meses. Na tela, confetes digitais e minúsculos chapéus de formatura caíam, uma zombaria pixelada da sua liberdade recém-adquirida. Arnaldo soltou o ar. Um sopro que parecia carregar três anos e nove meses de cafeína, pânico e o cheiro de livros mofados. Ele sentiu tudo: euforia. Alívio. Incredulidade. E então... mais nada. O silêncio no apartamento era denso, quase oleoso. Antes, esse silêncio era preenchido pelo tique-taque furioso da sua digitação, pelo zumbido do laptop superaquecido e pelo murmurar constante do seu orientador em sua cabeça. Agora... silêncio. "Acabou", ele sussurrou. A cadeira rangeu em resposta. Arnaldo tentou se lev...