Inteligência Artificial na Vaidade Tropical
Existe uma forma peculiar de inteligência que não exige cálculo, laboratório ou protótipo. Ela floresce no microfone. É a inteligência declaratória — aquela que se autoproclama antes de existir. Seu gesto inaugural é o brinde. O Brasil desembarca na Índia com uma comitiva numerosa, ministros em desfile e uma convicção admirável: a de que pode regular o futuro antes mesmo de compreendê-lo. Sob a condução de Luiz Inácio Lula da Silva, fala-se em governança global da inteligência artificial com a segurança de quem mal conseguiu digitalizar a própria burocracia. É um espetáculo fascinante: o país que ainda luta contra filas físicas celebra a soberania do algoritmo. Defende-se uma “regulação humanocêntrica”, expressão suficientemente vaga para caber em qualquer discurso e suficientemente grandiosa para parecer profunda. O curioso é que o Brasil pretende ensinar ética tecnológica ao mundo enquanto debate, internamente, se deve sufocar a inovação para proteger-se de si mesmo. Há um medo...