A Cultura como Forma do Destino
A personalidade não é temperamento: é destino lentamente escolhido. “Na descrição de um indivíduo, especialmente daquele que ocupa a centralidade de uma narrativa, é imperioso que se considere não apenas o estado atual de sua psique, mas também as forças que sobre ela incidem: o passado como herança formativa, o presente como tensão de consciência e o futuro como expectativa que o atrai ou o ameaça.” Toda personalidade é, antes de tudo, uma história que ainda não encontrou sua forma definitiva. Não somos apenas aquilo que somos, mas aquilo que nos aconteceu, aquilo que nos acontece — e aquilo que nos espera como um ímã invisível. A cultura, nesse sentido, não é um adereço. É uma arquitetura interior. Ela não acrescenta conteúdos: ela organiza o caos da experiência. Sem isso, o homem permanece prisioneiro do imediato: vive, mas não compreende; sofre, mas não significa; lembra, mas não narra. Sua vida acontece como ruído. O que chamamos de formação não é a acumulação de livros, mas...