O silêncio do templo
O silêncio do templo agora parecia diferente.
Não era mais um vazio, mas uma pausa expectante,
o espaço entre duas notas de uma canção cósmica.
Talvez o templo nunca tivesse sido de pedra.
Talvez sempre estivesse erguido dentro do peito,
onde o tempo se ajoelha diante do indizível.
Aquele silêncio não pedia fé, pedia escuta —
escuta de algo que ainda não nasceu,
mas já pulsa nas margens do real.
Era um silêncio grávido, antigo,
feito da respiração dos deuses
antes que aprendessem a falar.
Um instante suspenso,
onde o universo retoma fôlego
para continuar dizendo-se.
E ali, entre o som e o nada,
entre o eco e a origem,
descobri que a pausa também cria —
porque toda canção divina
precisa de um intervalo para lembrar-se
de que é infinita.

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