Cecilia Meireles



No coração boêmio e melancólico do Estácio, no Rio de Janeiro, onde as ruas sussurravam histórias de dor e esperança, e o cheiro de carne do açougue misturava-se ao incenso das orações, nasceu Cecília. Era 7 de novembro de 1901. Órfã de pai e mãe, a menina crescia sob os cuidados de uma avó amorosa, no sobrado de uma rua triste, ladeada pelas imagens de São Cláudio e São Luís. O destino, porém, parecia ter um enredo de tragédias para a pequena Cecília.

Desde cedo, seus olhos sensíveis captavam a beleza e a crueldade do mundo, transformando-as em versos que brotavam com uma intensidade singular. Foi assim que, em um de seus poemas mais pungentes, dedicado à Inconfidência Mineira, ela escreveu:

"sinto bater os sinos,

percebo o roçar das rezas,

vejo o arrepio da morte,

à voz da condenação"

Essas palavras, carregadas de um presságio sombrio, ecoavam a própria vida da poeta, que viria a enfrentar perdas e desilusões.  


Rua onde morou - entre São Luís e São Cláudio 

"Casada e mãe de três Marias, Cecília viu a felicidade se esvair com o suicídio do marido. As filhas, agora órfãs de pai, cresceriam sob a sombra de uma dor que, de alguma forma, também as consumiria com o tempo.

A vida de Cecília Meireles foi um testemunho de resiliência e arte. Ela navegou pelas tormentas da existência, transformando cada cicatriz em inspiração, cada lágrima em poesia. Sua obra, vasta e atemporal, é um legado que continua a tocar corações e mentes, perpetuando a memória de uma mulher que, mesmo diante das adversidades, soube eternizar a beleza e a profundidade da experiência humana.

Em 7 de novembro de 1964, 63 anos após seu nascimento, Cecília Meireles partiu, deixando para trás um universo de palavras que, como sinos batendo e rezas roçando, ainda ecoam em nossa alma."

" Folhas caem, vão,

Mas no livro, eternas,

Palavras ficam."

Minha homenagem

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