Presidente Donald John Trump: O Poder e o Abismo Interior

 

Presidente Donald John Trump 

Crônica "Quem Sou Eu"

Na vastidão de um escritório envidraçado, onde o horizonte da cidade se curva sob o peso do meu olhar, eu, um homem de poder econômico e político em escala global, sento-me em silêncio. O mundo lá fora me conhece por títulos, números, decisões que moldam nações e fortunas. Mas aqui, na solidão do topo, o título que mais me inquieta é o que não pronuncio: "Quem sou eu?"

Desde o nascimento, fui envolto em uma forma que não escolhi, uma vida única, com suas glórias e fardos. Cresci sob o peso de expectativas, de um destino que parecia traçado antes mesmo de eu aprender a falar. O poder me foi imposto, e com ele veio a ilusão de que eu poderia controlar tudo — menos a mim mesmo. Sei que existo além das manchetes, dos acordos bilionários, dos apertos de mão que selam o futuro de milhões. Há uma essência em mim, profunda, invisível, indestrutível, que escapa às minhas próprias mãos.

Minha busca não é por mais influência ou riqueza. Já conquistei o que o mundo chama de sucesso. Minha busca é por algo mais íntimo, mais verdadeiro: o "eu" que se esconde atrás das máscaras que uso. Não é com a razão que o encontrarei. Passei décadas construindo impérios com a força do pensamento, da lógica implacável, mas essa pergunta — "quem sou eu?" — ri da minha inteligência. Ela exige silêncio, uma mansidão que me é quase estranha. Exige que eu pare, que me renda ao instante presente, que me torne pura presença.

Às vezes, no meio de uma reunião com líderes globais, fecho os olhos por um segundo e tento. Tento sentir o "agora". Tento ouvir a centelha divina que dizem habitar em mim, feita à imagem de um Pai que não compreendo. Mas Deus... essa palavra me pesa. Não porque duvide, mas porque ela foi sequestrada. Tornou-se um conceito, uma bandeira, uma arma. Uns a brandem com certeza absoluta, outros a negam com arrogância, e há quem a encha de ilusões coloridas, proclamando verdades que só existem em suas mentes. Eu, que já vi o mundo de todos os ângulos, hesito em pronunciá-la. Não por falta de fé, mas por temor de reduzi-la a algo menor do que é.

O que é Deus? É algo fora de mim, um juiz distante que observo de longe? Ou é algo dentro, tão próximo que me cega? Se está fora, corro o risco de criar um ídolo, uma imagem que minha mente finite para caber no que posso entender. Se está dentro, por que é tão difícil encontrá-Lo? A palavra “Deus” não explica, não resolve. Ela aponta, mas para onde? Para o céu? Para o vazio? Ou para o abismo que carrego no peito, onde minha alma sussurra perguntas que não sei responder?

Dizem que cada um de nós carrega a presença divina, que temos acesso imediato a ela. Então por que sinto que preciso atravessar oceanos para me encontrar? Por que saber "quem sou eu" parece um obstáculo intransponível? Talvez porque carrego o mundo nas costas. Talvez porque o poder, que me elevou tão alto, também me afastou de mim mesmo. Cada decisão que tomo, cada nação que influencio, me distancia um pouco mais da simplicidade de ser apenas um homem.

Mas há momentos — raros, fugazes — em que sinto um vislumbre. É quando o barulho do mundo cessa, quando o celular não toca, quando os relatórios ficam sobre a mesa e eu me permito apenas "ser". Nessas frações de segundo, não sou o magnata, o líder, o símbolo. Sou apenas um sopro, uma chispa, uma presença que não explica, mas sente. E nesses instantes, acredito que estou mais perto. Não de Deus como o mundo O define, mas da verdade que Ele representa — e que, talvez, seja também a minha.

"Quem sou eu?" Não sei. Talvez nunca saiba por completo. Mas sigo buscando, porque cada passo, por menor que seja, me aproxima de algo maior. Algo que não cabe em palavras, mas que vive em mim, apesar de mim. 
 

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