O Salão Azul-Cobalto
No grande salão do cosmos, o silêncio ressoa em sol sustenido menor, e a Teia de Planck pulsa em azul-cobalto. Não havia matéria, nem luz, nem sombra — apenas o tecido vibrante que separava o Ser do Ainda-não-ser.
Os Arquitetos Primordiais, invisíveis aos olhos de qualquer tempo, moveram-se como pensamentos que antecedem a fala. Não se comunicavam por palavras, mas por harmonia — cada nota, um código; cada silêncio, uma decisão. Um deles, chamado apenas de O Geômetra, traçou um risco na membrana do nada, e esse risco tornou-se linha, e a linha, curva.
Assim nasceram as dimensões.
O Geômetra mergulhou a mão na própria sombra e dela retirou as primeiras partículas, sementes de matéria, que caíram no vazio como pólen sobre vento imóvel. Outro Arquiteto, o Pintor do Vácuo, soprou cor nesses grãos — vermelhos de hidrogênio, azuis de hélio, verdes que jamais seriam vistos por olhos humanos.
Por eras incontáveis, eles ajustaram constantes, afinaram forças, calibraram distâncias. Um grau a mais, e o fogo consumiria o futuro; um grau a menos, e o gelo tornaria o tempo irrelevante. Cada detalhe era deliberado, não para servir a si mesmos, mas para criar o cenário perfeito para a experiência mais rara: a consciência.
Quando o último ajuste foi feito, o salão inteiro brilhou em azul-cobalto, como se o próprio nada estivesse prestes a sonhar. E então, o Silêncio — esse maestro invisível — ergueu a batuta.
A primeira estrela nasceu.
E, em seu núcleo, a vida aguardava, compacta, paciente, como um acorde que sabe exatamente quando explodir no compasso certo.
O cosmos não foi apenas criado. Ele foi composto.
"Presentei com livros e inspire um mundo!"

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