O Peso do Poder

  

Desvio Injustiçado

Não era um erro. Era uma escolha.

Por setenta e quatro dias, o sistema judiciário respirou sob um desvio quase imperceptível. O desembargador Moreira, sentado em sua cadeira de couro envelhecido, inclinava as decisões a seu favor com um ajuste mínimo — 0,0000000001% de viés em cada sentença. Ninguém notaria. Nenhum tribunal, nenhum recurso, nenhum olhar desconfiado flagraria aquele desequilíbrio calculado.

Mas havia uma vítima que percebeu: o promotor Nascimento. Para ele, era como ver a balança da justiça pender sempre na mesma direção, mesmo quando a lei gritava o contrário. Tudo sutil, tudo dentro da margem de interpretação.

— Estatisticamente irrelevante — murmurou Moreira, sorrindo ao rejeitar mais um habeas corpus.

Até que, num instante, o sistema travou. Um relatório vazou. Um número, ínfimo, saltou das planilhas. E, tão subitamente quanto começara, o silêncio acabou.

Agora, era a vez da balança pesar o próprio juiz. 


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