Perseverante
O ano era 57 a.C., e a noite em Jeonju se desdobrava como um tecido de sombras e prata, entrelaçado pela lua que repousava, silenciosa, sobre os telhados curvos do palácio Hwaryeon.
Um jovem escriba caminhava sozinho pelo pátio interno, repetindo em voz baixa um verso que nunca conseguia concluir. Tinha falhado tantas vezes que já não contava mais os erros — apenas os passos. Cada pedra sob seus pés parecia perguntar se ele desistiria ali.
Ele não respondeu. Continuou.
Quando a alvorada veio, tímida e quase imperceptível, não trouxe glória nem aplausos. Trouxe apenas uma linha escrita sem tremor. Uma única linha. Mas era verdadeira.
E o escriba compreendeu, enfim, que perseverar não era vencer a noite, mas caminhar com ela até que, cansada, fosse embora sozinha.

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