A história treme

“Agora, a terra range, e a história começa a tremer.”


Ninguém acreditou quando as primeiras vibrações subiram pelas solas dos pés — um aviso tímido, quase um suspiro enterrado sob séculos de silêncio. Mas então as estátuas começaram a virar o rosto, como se despertassem de um sono milenar, e os pássaros, aqueles que ainda restavam, ficaram imóveis no ar, sustentados apenas pelo medo.

No horizonte, uma fissura abriu-se como uma pálpebra prestes a revelar o indizível. Da fenda não saiu fogo nem fumaça, mas um brilho antigo, pesado, que parecia reconhecer cada ser humano pelo nome.

E nesse instante, todos souberam: não era o fim do mundo que chegava, mas o fim de tudo o que o mundo fingiu ser. A verdade avançava — lenta, inevitável — enquanto a terra rangia sob o peso de uma história que finalmente acordava para julgar seus autores.

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