Labirinto

 Fui engolido pelo labirinto verde como quem entra em si mesmo pela porta errada.

Cada folha murmurava o meu nome em uma língua que eu não lembrava ter aprendido.

O chão respirava sob meus pés, e percebi, tarde demais, que não caminhava: era sonhado.

Ali, onde a luz se perde em musgos antigos, compreendi que a floresta não me cercava — ela me continha.

E, dentro de seu infinito silencioso, descobri a mais cruel das dádivas:

não sou pequeno diante do mundo — sou dispensável.

A grandeza da mata não estava em crescer… mas em continuar quando eu deixasse de existir.

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