Vivendo no Tabuleiro de Go
O Thriller Burocrático da Corrupção Governamental .. ..
Há países onde a vida cotidiana se assemelha menos a uma sociedade organizada e mais a uma partida de "Go" — aquele jogo milenar de estratégia em que territórios são conquistados, peças são sacrificadas e o poder se mede em movimentos sutis, quase invisíveis, até que seja tarde demais. Nesses lugares, a governança não é um contrato social, mas um "thriller" burocrático, onde a corrupção age como uma metáfora filosófica perversa: o Estado não é um árbitro, e sim um jogador disfarçado, manipulando as regras enquanto finge apenas observá-las.
O Jogo de Go e a Política dos Territórios
No "Go", o objetivo é cercar, dominar, expandir. Não há peças hierárquicas como no xadrez — apenas pedras iguais, cujo valor se define pela posição. Assim também é na máquina pública corroída: cada funcionário, cada político, cada "laranja" ou "lobista" é uma pedra no tabuleiro. Algumas são sacrificáveis; outras, estrategicamente posicionadas, controlam vastas áreas de influência. O cidadão? Mero espectador, quando não é peão involuntário.
Aqui, a corrupção não é um desvio, mas a própria lógica do jogo. O orçamento público vira um "território" a ser cercado; licitações são "grupos de pedras" disputados em jogadas sorrateiras; os corruptos, mestres em "sabaki" (a arte de escapar com elegância), sempre deixam uma saída para não serem completamente encurralados.
A Estética do Thriller Burocrático
Se Hitchcock dirigisse um filme sobre o Estado, seria assim: a tensão não está nos tiros, mas nos papéis que nunca chegam, nos processos que desaparecem, nos "links" que caem do portal da transparência. O suspense não é sobre "quem" vai roubar, mas "como" e "quando" serão pegos — ou, mais provavelmente, "não" serão.
Os personagens desse thriller são arquetípicos:
- O Mestre de Go: o político que nunca suja as mãos, mas sempre vence.
- O Fantasma: o funcionário que existe apenas nas folhas de pagamento.
- O Bode Expiatório: a peça sacrificada para manter a ilusão de justiça.
- O Jogador Inocente: o cidadão que ainda acredita nas regras.
A Metáfora Filosófica: O Vazio que Tudo Consome
No "Go", o "vazio" é tão importante quanto as pedras — são os espaços não ocupados que definem o poder. Na corrupção sistêmica, o vazio é a ausência de ética, a omissão calculada, o "não foi eu" que permeia tudo. Quanto mais complexo o sistema, mais fácil esconder os movimentos. E quando alguém protesta? A resposta é sempre a mesma: ""Você não entende o jogo.""
É Possível Vencer uma Partida Viciada?
Talvez a única saída seja virar o tabuleiro. Mas como subverter um jogo em que as regras são escritas pelos próprios jogadores? Alguns apostam na "transparência", outros na "revolta". O verdadeiro desafio, porém, é fazer com que as pedras do povo se tornem "incontornáveis" — que ocupem tanto espaço que não haja mais como cercá-las.
Enquanto isso, seguimos vivendo nesse "thriller" kafkiano, onde cada ato burocrático pode ser uma armadilha, cada promessa uma jogada de distração. E o pior? O jogo nunca termina. Apenas muda de jogadores.
Pergunta final: Seríamos peões ou potenciais mestres de "Go" se aprendêssemos a enxergar o tabuleiro?
< inspirado no livro "As Pedras da Última Casa>

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