O Som do Retorno
"Um som celestial de soluços dissonantes ecoa pelo universo, revelando verdades ocultas e confrontando a humanidade com sua essência antes do retorno glorioso"
No silêncio eterno das estrelas, um som começou a ecoar. Não era música, mas algo que vibrava além da compreensão humana — uma nota agônica, como se o próprio universo chorasse. Era o cumprimento da promessa antiga: "Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá."
Os céus se rasgaram lentamente, revelando não luz, mas uma melodia que parecia conter milhares de vozes em pranto. Eram os olhos que choravam, conforme profetizado, mas suas lágrimas não eram feitas de água. Cada soluço era um som quebrado, notas dissonantes que se desfaziam no espaço infinito, carregando o peso de eras perdidas.
Na Terra, os homens paralisaram. Alguns caíram de joelhos enquanto o som invadia seus corações, despertando memórias enterradas: arrependimentos, culpas esquecidas, amores nunca declarados. O som não apenas tocava os ouvidos, mas despedaçava almas, forçando-as a confrontar verdades que haviam sido ignoradas por séculos.
Um homem idoso, sentado em um banco de praça abandonada, ergueu o rosto para o céu invisível. Ele não via nada, mas ouvia tudo. Suas mãos tremiam ao perceber que cada nota dissonante era uma vida interrompida, uma escolha errada, um grito sufocado. Seu próprio choro se misturou ao coro universal, e ele soube que aquela era a justiça final: não punição, mas a revelação nua e crua de quem realmente era.
Então, como se obedecesse a uma batuta invisível, o som cessou. O silêncio que se seguiu foi absoluto, mais pesado do que qualquer palavra. As nuvens se abriram completamente, e uma presença indescritível encheu o firmamento. Todos viram. Todos ouviram. E todos compreenderam.
Os olhos que choram não derramam lágrimas de água, mas soluços acústicos: notas quebradas, dissonâncias que se desfazem no espaço. E quando o som se foi, restou apenas a verdade.
Conto inspirado em Apocalipse 1:7 por edii Camara [ contato .. email ]

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